segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Bayer pode ter vendido remédio com vírus da AIDS



TRIBUNA DA IMPRENSA (RJ) - CIÊNCIA/AMBIENTE

SÃO FRANCISCO (EUA) - Milhares de hemofílicos apresentaram ontem uma ação coletiva contra a Bayer Corp. e outras empresas, alegando que foram expostos ao vírus HIV, causador da Aids, e da hepatite C, através de remédios elaborados com sangue de doadores enfermos com alto risco de contágio.

A demanda, apresentada ontem em um tribunal federal, sustenta também que as empresas continuaram distribuindo os produtos anticoagulantes na América Latina e Ásia em 1984 e 1985, mesmo tendo deixado de vendê-los nos Estados Unidos, devido ao risco conhecido de transmissão de HIV e hepatite.

A ação foi apresentada em nome de milhares de hemofílicos em todo o mundo que receberam o remédio, disse o advogado Robert Nelson. A demanda acusa as empresas de negligência e de encobrir uma fraude. 'É uma tragédia mundial', disse Nelson. 'Milhares de hemofílicos morreram de Aids e muitos outros milhares estão infectados com HIV e hepatite C'.

A Bayer rechaçou a acusação, dizendo, através de um comunicado emitido em sua sede de Leverkusen, Alemanha, que examinará a demanda e preparará sua defesa. 'A Bayer cumpriu em todo o momento com todos os regulamentos vigentes nos países relevantes, com base nas evidências científicas disponíveis na época', afirma a empresa, assinalando que as decisões tomadas há 20 anos não deveriam ser julgadas com os conhecimentos científicos atuais.

Nelson explicou que a ação foi apresentada na Califórnia, devido ao fato de que a empresa Cutter Biological, agora uma divisão da Bayer, tinha sua sede em Berkley. Várias instalações de doação de plasma eram também localizadas na zona da Baía de São Francisco.

A acusação foi apresentada menos de duas semanas depois que o jornal 'The New York Times' acusou, através de uma matéria investigativa, as empresas de vender suas reservas de versões velhas de medicamentos no resto do mundo, enquanto vendiam um produto mais seguro e de recente criação nos Estados Unidos.

O remédio, chamado concentrado Factor VIII, previne uma hemorragia potencialmente fatal nos hemofílicos. No início, durante o início da epidemia da Aids, o remédio só era produzido com o plasma de 10 mil ou mais doadores. Como ainda não havia um exame para detectar o HIV, milhares de hemofílicos se infectaram.






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