domingo, 6 de outubro de 2013

FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia) não dá palavra aos católicos

De 2 a 4 de outubro, a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia promoveu seu IX Simpósio Internacional Filosófico-Teológico. O Prof. Hermes Rodrigues Nery (da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB) e Pe. José Eduardo exortaram os fiéis leigos e religiosos a cobrarem das autoridades eclesiásticas a identidade católica das instituições ditas católicas. 

Veja o apelo feito pelo Professor Hermes:

 Agora leia o Relato dirigido ao reverendíssimo Pe. Berardo Graz, Coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB escrito pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery e comissão formada por Adonias Martins de Souza, Nina Viana, Marta Maria Ceravolo Pelypec e esposo:

Estivemos em Belo Horizonte, onde a abortista Roseli Fischman fez seu proselitismo laicista na FAJE. Apresentamos os nossos argumentos à Coordenação da FAJE sobre a falácia dos eufemismos e como os inimigos da Igreja estão agindo por dentro, com sofisticação semântica, para semear o joio por dentro da instituição. Ao final, dissemos: viemos aqui para não pecar por omissão e afirmar a nossa fidelidade ao Magistério da Igreja. Não foram autorizadas fotos nem filmagens do evento. Mas estivemos lá – afirmando com veemência – o valor do Evangelho da Vida.

Por Hermes Rodrigues Nery *

Após a leitura do artigo do Pedro Anísio de Alcântara, fizemos uma pesquisa do histórico da Profª. Roseli Fischman e realmente constatamos que ela faz parte do CLADEM, que segundo ela própria define como “uma articulação plural de organização e pessoas da sociedade civil latino americana e caribenha em defesa e promoção dos direitos humanos a uma educação pública, laica e gratuita para todos”. A Profª Roseli Fischman costuma fazer seu proselitismo laicista para justificar o direito à autonomia individual e os demais direitos decorrentes dessa premissa laicista, como os direitos das mulheres acima do direito dos pais em educar seus filhos, os direitos sexuais e reprodutivos, inclusive o direito ao aborto, etc.

Sugerimos então que houvesse uma mobilização de e-mails e telefonemas, especialmente para evitar que a exposição da Prof.ª Roseli Fischman, que, segundo Pedro Anísio de Alcântara, “faz parte do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA), que conta com o apoio do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e seu foco é capilarizar a discussão do tema do aborto sob o prisma da Saúde Pública e retirá-lo da esfera do crime. Entre seus participantes o GEA declara outras organizações, como por exemplo, as Católicas pelo Direito de Decidir e o Ipas Brasil, que possuem a mesma finalidade, além do Ministério da Saúde e da Secretaria de Política para as Mulheres. Para alcançar seu fim o GEA produz novos materiais e estimula a difusão de informação e dados de pesquisas através de entrevistas e matérias nos veículos de comunicação do Brasil e no mundo e realiza seminários, colóquios e encontros com mais parceiros nessa iniciativa. Tudo isso para descriminalizar o aborto. Para se ter ideia da importância do GEA, alguns dos seus membros e o próprio grupo tiveram importância na discussão e julgamento favorável ao aborto de fetos anencéfalos pelo STF na ADPF 54. Pró-aborto, a Dra. Roseli realizou nos anos de 2007 e 2008 o projeto “Ensino Religioso em Escolas Públicas: legislação e normas e seu impacto sobre a cidadania e os direitos sexuais e reprodutivos”. Tal projeto teve como financiadores as Católicas pelo Direito de Decidir e apoio financeiro da MacArthur Foundation (ambas abortistas) com consultoria do GEA. Em 2009, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a Dra. Roseli Fischmann, contrária ao acordo entre o Brasil e o Estado do Vaticano, defendeu a sua inconstitucionalidade e seus perigos. Tendo ela mesma, por conta desta ocasião, pedido a viagem de representante(s) da virulenta ATEA Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos para Brasília.”

Não conseguindo audiência com Dom Walmor, arcebispo de Belo Horiozonte, para lhe falar sobre o histórico de militância abortista e anticatólica da prof.ª Roseli Fischman, conversei por telefone com o Reitor da FAJE, Pe. Vitório, destacando os vários documentos pontifícios que primam por afirmar a identidade católica nas instituições acadêmicas católicas, e dizendo que acolher a Prof.ª Fischman naquela instituição acadêmica católica e jesuíta é alargar o relativismo ainda mais, em detrimento do Magistério da Igreja, esse sim, que deveria ser priorizado. Ao que o Pe. Vitório disse que, em nome do pluralismo, aceita dialogar com o diferente, inclusive com os inimigos da Igreja, aludindo que Jesus dialogou com Satanás. Vindo uma declaração desta de um padre e reitor de uma instituição católica, foi chocante. E concluiu dizendo que já havia falado com Dom Walmor, e de que garantiria, sim, o direito da Prof.ª Fischman falar na FAJE sobre a laicidade do Estado, em nome do pluralismo. Diante da negativa de cancelamento, sugerimos então um debate com a Prof.ª Fischman, para refutar suas posições laicistas e anticatólicas, e solicitei ao Pe. Berardo Graz e Pe. Pedro Stepien que ligassem para ver essa possibilidade.

Fui então, representando a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, na manhã do dia 3 de outubro, até a FAJE, com o objetivo de ao menos fazer uma fala em defesa do Magistério da Igreja, nesse contexto. Mas ao chegar à FAJE, com uma pequena comissão pró-vida formada por Adonias, Nina, Marta Ceravolo e esposo, não tivemos autorização de fazer uso da palavra, nem de fotografar nem de filmar o que quer que fosse, e Pe. Vitório delegou ao Pe. Álvaro Pimentel (que nos deu boa acolhida) que se reunisse conosco em uma sala, junto com a Assessora de Imprensa da FAJE.

Pe. Álvaro Pimentel disse que a FAJE não estava realizando evento pró-aborto, mesmo eu ter explicado que a tática dos inimigos da Igreja é utilizar-se de eufemismos (lembrei a ele o Léxicon publicado pela CNBB), assim como acontece no Congresso Nacional com os Projetos de Lei, a exemplo do PLC 03/2013), o termo “aborto” não é mencionado, mas trata-se na realidade de uma estratégia semântica. A Prof.ª Roseli Fischman faz a defesa do direito à autonomia individual e das mulheres ao aborto quando discorre sobre as premissas do laicismo, a exemplo do que já escreveu em seus textos e em suas demais abordagens e exposições. 
O Pe. Álvaro disse que para entrar na palestra dela, tínhamos que ter feito a inscrição para o simpósio, procedimento este que ficou a cargo de Pe. Pedro. Para corroborar a posição de militante anticatólica da Prof.ª Roseli, sugerimos então disponibilizar o vídeo da sua palestra, ao que ele nos disse que a palestra dela não tinha autorização para ser fotografada nem filmada. 

Pe. Álvaro Pimentel afirmou que conhecia a posição divergente 

da Prof.ª Roseli Fischman em relação ao Magistério da Igreja, 

mas que todos os professores e especialistas que lá 

participaram do simpósio eram de conhecimento de 

Dom Walmor e demais bispos, 

bem como do próprio Vaticano. E que 

a proposta do seminário era justamente esta: trazer 

especialistas que pensam diferente do Magistério da Igreja, 

para que os alunos possam fazer o discernimento. Insistiu na 

tese de que é preciso dialogar com o inimigo, lembrando que 

Jesus disse que é preciso amar nossos inimigos.

Perguntou-me se eu tinha titulação acadêmica. Ao que respondi que sou especialista em Bioética, pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Vaticano (Pontifícia Academia para a Vida). Disse ainda que ficou horrorizado com os mais de mil compartilhamentos pelo facebook só de uma página chamada “Santa Igreja”, e dos comentários dos internautas, o que tudo isso será objeto de providências posteriores, sugerindo inclusive, em nome da correção fraterna, reconsiderações apropriadas. Disse a ele, com ênfase, de que o seguimento a Jesus Cristo (a missionariedade e discipulado) requer fidelidade ao Magistério da Igreja, exigindo muitas vezes o deserto e a cruz, e que diante do holocausto silencioso que vitima hoje milhões de crianças privadas ao direito à vida, atenderemos o clamor feito pelo beato João Paulo II, na Evangelium Vitae, de afirmar a cultura da vida, mesmo em meio a tantas hostilidades contra a vida, a família e a fé católica.

Cordialmente, em Cristo e Maria!

* Prof. Hermes Rodrigues Nery e comissão formada por Adonias Martins de Souza, Nina Viana, Marta Maria Ceravolo Pelypec e esposo. 

* Relato dirigido ao reverendíssimo Pe. Berardo Graz, Coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB.


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