quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A Mulher Forte: "Uma força misturada de graça é o seu vestido e ela terá alegria nos últimos dias"

Salve Maria!
Este é o terceiro post que compartilhamos com o leitor de alguns trechos de 17 Conferências feitas às Senhoras da Associação de Caridade, por Monsenhor Landriot Arcebispo de Reims. Versão da 10ª edição francesa por Alfredo Campos, Livraria Inernacional 1877.
O título das 17 Conferências é "A Mulher Forte". Uma ótima leitura para ajudar a todas as mulheres a compreenderem melhor ao chamado de Deus a cumprirem o seu valioso papel na família e ocupar o cargo de Rainha do Lar, dado pelo próprio Deus. Abaixo, a primeira parte da 15ª Conferência.

"Uma força misturada de graça é o seu vestido."


A mulher forte tem no ar, no aspecto, na fisionomia e no olhar, uma
dignidade cheia de encantos. Não é uma beleza efeminada, que se dirige principalmente aos sentidos; é um raio do céu, cuja beleza exterior não serve senão para cobrir uma nobre e varonil virtude. Caminha assim, levando aos ombros este manto de glória; e há tanta simplicidade nos seus modos, tanta bondade nas suas palavras e no seu olhar, tanta expressão na sua fisionomia, que a inveja desarma-se: admira-se e ama-se. "A raiz desta beleza - diz Santo Ambrósio - é uma virtude interior, sempre viçosa, cuja flor se projeta em todos os órgãos." (De offic., 1.I, c. 45). 


A vista dessa mulher admirável eleva os pensamentos em lugar de
os abaixar, e a luz do seu olhar purifica sempre. Quando a gente se encontra, lembra logo a bela máxima de Clemente de Alexandria: "O que olha a beleza com uma casta afeição esquece a beleza da carne pela da alma: só admira o corpo como uma estátua, e eleva-se por essa terrestre, até ao primeiro artista, até a própria essência da beleza. Para ele as formas exteriores são um símbolo sagrado que ele mostra aos anjos guardadores, das avenidas do Céu; é o cunho luminoso da justiça, é o perfume de uma alma perfeitamente harmonizada, é a manifestação dos sentimentos íntimos de um coração, que a presença do Espírito Santo faz estremecer." (Stromat., I. IV. cap. 13). 


Eis a verdadeira beleza da mulher forte: é uma água pura que sabe de um coração virtuoso, é uma água límpida, em que se reflete a claridade de um sol interior, e que parece refrescar o olhar. A sua força é cercada de graça, e a graça é protegida pelo baluarte de uma força divina: Fortitudo et decor indumentum ejus. 


Todas estas admiráveis qualidades, cuja base está sempre no interior, podem encontrar-se nas mulheres que não possuem
precisamente, o que, por convenção, se chama a beleza física das feições. Há pessoas as quais o mundo confere, ao menos em palavras, um prêmio de beleza, e que, para o observador atento, têm uma expressão de fealdade pronunciadíssima: traem-se-lhes a alma em certas linhas fugitivas, em certas rugas que vão e vêm, produzindo um efeito que a pena não pode descrever, mas que o pensamento agarra na sua rápida passagem.

Encontram-se, ao contrário, figuras que certa gente chamaria feias, e que são admiravelmente belas na expressão e na forma imaterial.

O verdadeiro belo, o que arte da alma, está impresso na fisionomia; está sempre claro, semelhante a um formoso diamante que não estivesse ricamente lapidado, e ao qual a forma externa fornece ocasião para mais cintilar.

Contemplando-as lembra logo o pensamento de outro Padre, que já por mais de uma vez temos citado: "A virtude brilha como uma flor nos corpos em que habita e reveste-os de uma luz suave e pura." (Clem. Alex, Pedag. I. II, c. 12).

Eu não tenho receio de entrar em todas estas minuciosidades, a fim de vos fazer compreender, mais e mais, que a religião é um aroma que conserva tudo, mesmo o que a mulher tem de mais frágil e, algumas vezes, de mais perigoso nas suas qualidades. O cristianismo é suficientemente forte para dizer tudo, mesmo sobre as matérias as mais delicadas, é suficientemente forte para tudo preservar, porque é divino. 


Sejam quais forem as vossas qualidades exteriores, andai de modo que elas tenham sempre o reflexo de uma alma grande e virtuosa. Se Deus vos deu algumas vantagens corporais, seja a virtude a raiz que as alimente: terão sempre mais frescura e verdade, semelhantes às árvores cuja profunda raiz bebe a seiva interiormente, e que se estiolam quando ela é a superfície. Se a natureza não fez por vós tudo quanto tendes, talvez, sonhado, tenha a vossa virtude uma luz mais viva; e a flor da alma, como a chamam os santos, brilhará tanto mais nos vossos órgãos, quanto a condecinha flor mais simples; o ramo de flores tem às vezes um encanto a mais, quando o vaso que o contém não encerra toda a elegância da arte. 


Muitas vezes, no mundo decaído há contrastes entre a forma e a riqueza interior, e as coisas são tanto mais sólidas e seguras, quanto 
menos predomina nelas o elemento material. Que a força ornada da graça seja, pois, o vosso vestido: Fortitudo et decor indumentum ejus. Na igreja, no passeio, em um encontro com os amigos, seja a vossa fisionomia o espelho do quanto à gente gosta de supor no coração de uma mulher virtuosa; tenha o vosso sorriso à graça de uma bondade sobrenatural; sejam os vossos olhares a pintura abreviada dos vossos sentimentos; tenha o vosso porte a dignidade e a simplicidade de uma alma verdadeira; que tudo enfim, imponha respeito, atraindo as almas e elevando os caracteres. 


A Bíblia ajunta que "a mulher forte terá alegria nos seus últimos dias." 


Um dos mais belos e mais enternecedores espetáculos é o de ver uma mãe de família cercada dos seus filhos, que ela educou no
temor de Deus, que ela viu crescer e prosperar em torno dela, como rebentos de oliveiras, sempre verdejantes: Sicut novellae olivarum (Ps. CXXVII, 3.) 


Expande-se-lhe o coração e sorri-lhe o rosto; é o sol que vai em breve esconder-se num céu puro, e que, antes de desaparecer no extremo do horizonte, parece deter o seu curso, lançando um olhar de saudade sobre a natureza que vivificou: Et ridebit in die novissimo.

Ela recorda com ventura as alegrias da sua mocidade maternal, as bênçãos que o Céu se aprazia em derramar sobre a sua família, e os puros júbilos de seus filhos e de seu marido. Os trabalhos que empreendeu, as penas que sofreu, as dores inseparáveis das felicidades deste mundo, as preocupações e os cuidados do seu amor, tudo se lhe converte em assunto de ventura: é feliz, e goza, como o jardineiro que acha, na recordação dos seus rudes trabalhos e dos seus suores, motivo de consolação, porque recolhe no outono os frutos abundantes dos seus dias de labor e de sofrimento.


Ditosa mãe, rejubilai-vos com o bem que praticastes, rejubilai-vos em Deus, porque essa alegria é um dom do Céu: Hoe donum Dei est (Ecles.I, II).

Que a ventura, a virtude, a prosperidade da vossa numerosa família formem em volta de vós uma como coroa de flores, um como tapete de verdura, a fim de ensombrecer-vos os últimos dias e embalsamar-vos de antemão os membros fatigados, antes de descerem ao túmulo, aonde encontrarão o derradeiro repouso: Et ridebit in die novisimo. 


É sobretudo na derradeira hora, e sobre o leito fúnebre que o sorriso da mulher forte toma uma expressão angélica. E, como o santo patriarca, é, sem dúvida obrigada a dizer:- "A minha peregrinação foi semeada de dias curtos e maus" (Gen. XLVII), pois tal é a lei de todas as criaturas humanas, e as lágrimas da dor e do sacrifício são o melhor orvalho para certos crescimentos sobrenaturais da alma. Porém depois desta confissão, que a verdade reclama, a mulher forte deve ajuntar: - Meu Deus, acabei o meu curso, terminei a obra que me confiastes, e agora volto a Vós, como Autor de toda a paternidade, a fim de Vos amar e de Vos suplicar ainda com mais amor e fervor por aqueles que vão permanecer depois de mim. 


O padre responde-lhe: - Parti alma cristã, porque o Cristo vai receber-vos nos prados verdejantes do Céu - Intra paradisi semper amaena virentia. (ritual romano) 


A alma levanta-se com estas palavras, toma vôo, e depois de partida, fica sobre os lábios, nos olhos, e na fronte uma expressão de sorriso angélico, que é como o último adeus da alma, e que parece ficar para falar ainda da sua ventura: Et ridebit in die novissimo. 

Fonte: Salve Rainha

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