sábado, 10 de novembro de 2012

Heresia: Este Papa é legítimo? Católicos de plantão: abram os olhos e seus ouvidos, enquanto ainda é tempo."


QUARTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO DE 2012

“A devoção eucarística ou visita silenciosa à igreja não pode ser considerada uma conversa com Deus. Isso supõe que Deus esteja presente de maneira local e circunscrita. Afirmações do tipo “Deus mora aqui” e conversas com o Deus que se imagina estar naquele lugar, baseadas nesse modo de pensar, demonstram um equívoco, quanto ao evento cristológico e à idéia de Deus, que necessariamente repugna ao homem inteligente, sabedor da onipresença de Deus. Se alguém justificasse sua ida à Igreja com o argumento de que se deve visitar ao Deus que somente ali se faz presente, essa seria uma justificativa que não faria nenhum sentido e seria com toda razão rejeitada pelo homem moderno.”

(Pe. Joseph Ratzinger, Die Sacramentale Begründung Christliche Existenz)


DOMINGO, 4 DE NOVEMBRO DE 2012

“Eu nada tenho contra pessoas que, embora nunca entrem numa igreja durante o ano, assistem à Missa de Natal, ou vão à igreja por ocasião de alguma outra celebração, porque isso é também um modo de se aproximar da luz. Portanto, deve haver diferentes formas de envolvimento e participação.”

(Cardeal Joseph Ratzinger, em entrevista à Zenit, outubro de 2001)


SÁBADO, 15 DE SETEMBRO DE 2012

“A dificuldade no sentido de dar uma resposta é profunda. No fim das contas, é devida ao fato de que não há uma categoria apropriada no pensamento católico para o fenômeno do protestantismo hoje (pode-se dizer o mesmo da relação com as igrejas separadas do Oriente). É óbvio que a antiga categoria de “heresia” não tem mais nenhum valor. Heresia, para a Escritura e a Igreja primitiva, inclui a idéia de uma decisão pessoal contra a unidade da Igreja, e a característica da heresia é a pertinacia, a obstinação de quem persiste em seu próprio caminho particular. Isso, contudo, não pode ser considerado como uma descrição apropriada da situação espiritual do cristão protestante. No decorrer de uma história já de vários séculos, o protestantismo deu uma contribuição importante para a realização da fé cristã, cumprindo uma função positiva no desenvolvimento da mensagem cristã e, acima de tudo, muitas vezes dando origem a uma fé profunda e sincera no indivíduo cristão não-católico, cuja separação da afirmação católica não tem nada a ver com a pertinacia característica da heresia. Talvez aqui possamos inverter uma citação de Santo Agostinho: que um antigo cisma se torna heresia. A própria passagem do tempo altera o caráter da divisão, de modo que uma antiga divisão é algo essencialmente diferente de uma nova. Algo que antes tinha sido justamente condenado como heresia não pode depois simplesmente se tornar verdadeiro, mas pode gradualmente desenvolver sua própria natureza eclesial positiva, com a qual o indivíduo se apresenta como sua igreja e na qual ele vive como um crente, não como um herege. Essa organização de um grupo, contudo, acaba tendo um efeito sobre o todo. A conclusão é inevitável, portanto: o protestantismo hoje é algo diferente de heresia no sentido tradicional, um fenômeno cujo verdadeiro lugar teológico ainda não foi determinado.”

(Cardeal Joseph Ratzinger, Die Christliche Brüderlichkeit)


QUARTA-FEIRA, 12 DE SETEMBRO DE 2012

Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
Qual é propriamente a posição que a cruz ocupa no contexto da fé em Jesus enquanto o Cristo? Eis a questão com que este artigo do Credo nos torna a confrontar. Nas considerações anteriores já foram reunidos elementos essenciais para uma resposta, bastando-nos agora evocá-los. Nesta questão, a mentalidade cristã está condicionada por uma idéia bastante grosseira da teologia da satisfação de Anselmo de Cantuária, cujas linhas fundamentais foram objeto de análise em outro contexto. Para muitos cristãos, sobretudo para os que conhecem a fé assaz superficialmente, a cruz parece que deva ser compreendida dentro de um mecanismo do direito lesado e reabilitado. Seria a forma com que a justiça divina infinitamente ofendida se consideraria reabilitada por meio de um sacrifício infinito. Tem-se a impressão de tratar-se de uma exata igualação entre dever e haver; ao mesmo tempo perdura a impressão de um tal igualamento basear-se sobre uma ficção. Entrega-se, secretamente, com a esquerda, o que naturalmente se torna a receber com a direita. Deste modo fica envolvida por uma luz duplamente sinistra a 'infinita satisfação' da qual Deus parece fazer questão.

Observando certos textos de devocionários, não se pode escapar à idéia de que a fé cristã na cruz vê um Deus cuja justiça implacável exige uma vítima humana, o holocausto do seu próprio Filho. E recuamos horrorizados diante de uma justiça, cuja ira tenebrosa torna incrível a mensagem do amor.
Tão espalhada quanto falsa é esta idéia.”
(Pe. Joseph Ratzinger, Einführung in das Christentum)

Tradução do Pe. José Wisniewski Filho, S.V.D

Fonte: Email (Tradição Católica)


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